ARTE PRE-COLOMBIANA
R & R Camargo Arte

01 a 30 de abril de 1975


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Arte Pré-Colombiana. Um novo horizonte de interesse artístico brasileiro

A Cordilheira dos Andes e a costa sulamericana do Pacífico foram o cenário no qual se desenvolveram, sucessivamente, importantes culturas que atingiram graus elevados de civilização antes que Francisco Pizarro conquistasse o Perú, no século XVI, e antes mesmo que o império incáico tivesse se formado e expandido entre os séculos XII e XIV da nossa era.

As culturas pré-incáicas se desenvolveram em épocas e regiões distintas. Há vestígios arqueológicos que remontam ao oitavo milênio antes de Cristo. A cerâmica incipiente parece ter surgido no segundo milênio antes da era cristã. Os achados arqueológicos indicam que desde o século XII A.C., quando começa o chamado "período da cerâmica formativa", se acelera um robusto desenvolvimento das técnicas de produção de utensílios e objetos de cerâmica, que chegaram inclusive a um alto grau de qualidade artística e a um padrão estético comparável aos mais elevados que se podem observar ao longo da história da arte. Tais culturas se desenvolveram tanto na região montanhosa, quanto na costa. Ocuparam desde a Colômbia e Equador, ao Norte, até a região setentrional do Chile e o Noroeste Argentino, incluindo o Perú e o Altiplano Boliviano.

As culturas pré-incáicas apresentam sérias dificuldades para a reconstituição de sua história. Tanto a cronologia quanto os hábitos e costumes são pouco conhecidos, para o que a perda dos "quipus" e da capadidade de interpretá-los, agravando a inexistência da escrita convencional ou hieroglífica, parece ter contribuído decisivamente.

As culturas pré-colombianas e especialmente as pré-incáicas notabilizaram-se e despertaram grande admiração e interesse científico pela qualidade estética das obras de arte encontradas nos grandes depósitos arqueológicos descobertos a partir do século XVI.

A cerâmica, os tecidos, os metais - maximé o ouro, mais que a prata e o bronze - a madeira e a pedra foram, ao longo do tempo e ao sabor e capricho das sucessões culturais, os elementos trabalhados pelos artistas que se expressaram com a maior originalidade e beleza. A qualidade estética das manifestações artísticas dos povos pré-incáicos vem sendo objeto do mais alto interesse - antes europeu e agora também norte-americano e japonês -, seja dos museus, quanto de colecionadores, desde que don Martinez de Compañon, bispo de Trujillo, enviou a Madrid, a bordo do "La Moza", como presente a Carlos III em 1778, vinte e quatro caixões contendo valiosas obras de arte retiradas das ruínas de Chan-Chan, entre as quais se encontravam 600 exemplares de arte cerâmica, que foram destinados ao Gabinete de Antiguidade "del Rey".

Esta exposição se dedica especialmente a peças artísticas de cerâmica, pré-incáicas, tais como as mencionadas, e às quais o famoso arqueólogo J. C. Tello propôs a usada nomenclatura autóctone de "wakos"ou "huacos", que significa vasilha sagrada, com o fim de distingui-las das vasilhas de uso profano, tais como os "Pirwa" (recipientes para guardar grãos) ou "Sañus" (vasos).

Huaco é uma palavra de origem quéchua, associada ao termo genérico "huaca", que indica qualquer recinto ou objeto dedicado ao merecedor de culto. O culto dos mortos esteve integrado ao contexto religioso de todas as culturas pré-colombianas, tendo, inclusive durante o império incáico, se notabilizado a influência política dos "panakas" de Cuzco, que eram espécies de "ordens" ou "confrarias" dedicadas à guarda e culto das múmias dos incas. Em razão possivelmente de tal culto, o termo "huaca" inclui semanticamente os cemitérios e tumbas e objetos neles depositados. Deste modo, generalizou-se o emprego pelos índios da denominação de huacos a todos os objetos de cerâmica que via de regra são encontrados em tumbas.

Esta é a denominação corrente das peças que ora se exibem e que representam significativamente a arte pré-colombiana do Perú que hoje apresentamos, através de peças importantíssimas de uma antiga coleção. Não foram antes conhecidas do público brasileiro unicamente por falta de iniciativas como a que se promove agora. 

Marco Antonio Mastrobuono


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