ANTONIO BANDEIRA
R & R CAMARGO ARTE

26 de maio a 26 de junho de 1976


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Antonio Bandeira

Em 26.05.1922 nasce na cidade de Fortaleza, Antonio Bandeira.
Ainda menino começa a desenhar.
No início da década de 1940 participa da Fundação do Centro Cultural Cearense de Artes Plásticas.
Em 1942 recebe a medalha de ouro no Salão de Abril, em Fortaleza. Em 1943 recebe medalha de bronze no Salão Paulista de Belas Artes.
Em 1945 viaja ao Rio de Janeiro acompanhado por Aldemir Martins e Inimá de Paula, que formavam, todos, o Grupo Cearense.
Nessa época a tendência da pintura de Bandeira era expressionista, influenciada por Van Gogh. Suas paisagens, no entanto, eram mais pessoais.
Realiza-se no Instituto dos Arquitetos do Brasil - seção carioca - uma exposição individual. Participa também do Salão Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro.
Suas pinturas são carregadas de poesia e cheias de emotividade e intenção líricas, mostrando a influência de sua Fortaleza de infância, com suas flamboyants, céus, redes, crepúsculos, como parte integrante nas mesmas.
Bandeira após sua primeira individual em nosso País, recebera bolsa de estudos do governo francês, e devido a isso viaja em 1946, para Paris.
Passa a frequentar a Escola Superior de Belas Artes e a Academie de La Grande Chaumière. Estuda desenho com Narbone.
Integra-se na chamada "Escola de Paris".
Verificaremos mais tarde que dos artistas brasileiros que se radicaram na França, Bandeira seria um dos mais importantes.
Logo liga-se ao líder da abstração informal, Wols.
De sua ligação com Bryen e Wols nasce em 1949/50 o grupo BANBRYOLS. Infelizmente o grupo não tem grande duração, pois logo em 1951 com a morte de Wols, ele se desfaz.
A pintura informal acha-se em ascensão.
Em 1947 participa do Salão de Outono, em 1948 do Salão de Arte Livre, em 1949 da exposição do Grupo BANBRYOLS na Galerie du Siècle, todas em Paris.
Em 1951 volta ao Brasil.
São feitas nesse período, 51-54, individuais no MAM de São Paulo e na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro. Participa da I Bienal de São Paulo.
Recebe duas medalhas, uma de bronze na Divisão Moderna do Salão Nacional de Belas Artes e outra de prata no Salão Baiano de Belas Artes.
Em 1952 participa da Bienal de Veneza, Salão de Maio de Paris, Salão das Realidades Novas de Paris, e recebe certificado de Isenção de Juri no I Salão Nacional de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Bandeira era muito criticado por aqueles que não entendiam sua pintura e que se achavam ligados aos princípios acadêmicos.
Bandeira e Wols propunham expressar sentimentos novos através da cor e da composição e como a textura dos tachistas não tinha nada a ver com o esquema dos acadêmicos, dizia-se que Bandeira não sabia compôr.
Ele ocupava a liderança, na época, no que se refere aos revolucionários pintores brasileiros.
A criação da Abstração Informal obedeceu ao movimento de rotatividade dos estilos artísticos no mercado de arte, mas como possuia fortes bases em sua formação não iria sucumbir como acontecera à algumas escolas.
Na abstração informal o subconsciente exerce um papel de importância fundamental, sendo o oposto da pintura que obedece antes de tudo às faculdades intelectuais. Os impulsos instintivos e a emoção dominam. A pintura, nessa técnica, consegue representar, por exemplo, os extremos da paixão ou do sentimetno, o que na arte figurativa se torna muito difícil.
Na pintura informal o traço espontâneo obedece às pulsações interiores do artista, enquanto que na arte concreta os impulsos da emoção e sensibilidade são censurados, tolhidos e submetidos à razão.
O dripping de Pollock tornou-se, de fato, um novo processo de pintar.
Em 1953 nova individual de Bandeira no MAM de São Paulo.
Participa da Exposição Nacional de Arte Abstrata em Petrópolis, recebe o prêmio FIAT ganho na Bienal de São Paulo, volta à Europa. Viaja pela Itália e faz temporada na cidade de Capri.
Participa da Bienal de Veneza. Nova individual no MAM de São Paulo.
Depois da Itália, volta a residir em Paris.
Em 1955 monta individual na Galeria Obelisk em Londres, participa da III Bienal de São Paulo e de exposições no MAM e Salão das Realidades Novas de Paris.
Em 1956 tem sua individual na Galeria Edouard Loeb de Paris e em 1957 individual na Galeria Seventy Five de New York. Nesse mesmo ano está entre os participantes da Exposição de Pintura Abstrata na Galerie Creuse de Paris e recebe medalha de prata no Salão Belas Artes de Santos.
Em 1958 monta Painel para o Palácio de Belas Artes de Bruxelas. Participa do Salão das Realidades Novas em Paris.
Em 1959 volta ao Brasil.
Participa da V Bienal de São Paulo.
Em 1960 inaugura o MAM da Bahia com uma individual. Organiza individuais no MAM do Rio, na Galeria São Luis de São Paulo e Bonino do Rio e Buenos Aires.
Participa da XXX Bienal de Veneza.
O tachismo teve em nosso tempo, importância equivalente à pintura impressionista no século passado. Bandeira foi nosso principal representante.
Em 1961 inaugura, com uma individual, o Museu de Arte da Universidade do Ceará. Fez individuais nas Galerias Gead do Rio e São Luis de São Paulo.
Com cinco litos, texto e poemas de A. Bandeira, a Bonino do Rio edita álbum de Bandeira. Em 1962 essa Galeria faz uma individual do artista.
Em 1963 individuais na Galeria Querino de Salvador e Museu de Arte da Universidade do Ceará. Inaugura o Museu de Arte Popular da Bahia.
Em 1964, individual na Galeria Atrium de São Paulo.
Participa da Bienal de Veneza. Exposição na Ibeu do Rio.
Em 1965, retorna definitivamente à França.
No período 65-67 participa das Exposições Arte Brasileira Atual pela Europa, Artistas do Brasil em New Orleans, L'Oeil de Boeuf em Madrid, Salão Comparações e MAM de Paris, Artistas Brasileiros de Paris realizada na Galeria Debret, Auto-Retratos na Galeria Ibeu e Arte Brasileira Contemporânea no Palácio das Belas Artes de Bruxelas.
Várias vezes o pintor fez questão de acentuar que a fundição de seu pai servia de inspiração à sua pintura. As fagulhas que se desprendiam do ferro incandescente, batido na bigorna, estavam presentes nos pingos e manchas amarelas, laranjas ou vermelhas que se vê em suas obras. Dizia que aprendera muito com o trabalho do pai, já que na sua pintura também misturava "emoções em cadinhos iguais ao dele".
As cidades por ele pintadas são um reforço à essa observação, visto as mesmas nos serem apresentadas em suas telas como pontos vistos à longa distância ou como uma vaga ou imprecisa recordação registrada pela retina.
Tudo se transforma numa visão aparentemente cósmica, parecendo representar outro universo. Esses fenômenos são habituais na arte dos melhores pintores tachistas.
Mas em 06.10.1967 Antonio Bandeira vem a falecer em virtude de um choque provocado por anestesia durante uma pequena intervenção cirúrgica, em Paris.
Talvez seu corpo prematuramente consumido pelo ritmo que a ele impusera Bandeira não tenha aguentado tal choque, mas qualquer que tenha sido a causa, o fim chegara àquele incansável artista.
São feitas várias exposições póstumas. Em Fortaleza pela Secretaria de Cultura, em Paris no Salão Comparações, no Rio pela Bonino.
Bandeira recebe Sala Especial na II Bienal Nacional de Salvador.
Em 1969 o MAM do Rio de Janeiro faz um leilão das obras de Bandeira, recolhidas de seu atelier de Paris. O Museu planejara inicialmente uma retrospectiva, mas com a morte do artista modificou seu plano inicial.
Em fins de 1971 a Embaixada brasileira realiza na Galeria Debret de Paris a mais importante exposição de Bandeira após sua morte.
Em 1974 é feita exposição no Rio de Janeiro, na Galeria Vernissage.
Em 1976 a Galeria Bonino do Rio de Janeiro expõe Bandeira em comemoração aos 20 anos de existência dessa galeria.
No final do ano de 1976 Bandeira recebe sala especial pela Fundação Bienal de São Paulo denominando-a "Homenagem a Antonio Bandeira".
Antonio Bandeira acha-se representado no Museu de Arte da Universidade do Ceará, no MAM da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo, no MAC da USP, no Museu Seattle de Washington, no MAM de Paris, no Museu de Tel-Aviv e no acervo das maiores coleções particulares, bancos e empresas brasileiras e estrangeiras.
Passada a euforia do tachismo, anos após seu aparecimento, Bandeira não procurou mudar imediatamente ou mesmo nos últimos anos de sua vida, para ficar de acordo com as imposições do momento. Continuou fiel à sua tendência, como ocorre com os verdadeiros mestres, que não sacrificam aos interesses, às mudanças e flutuações do mercado artístico, suas próprias convicções e a integridade de sua arte.

"Da fundição aprendi misturas que meu pai nem suspeita mas, vendo derreter ferro ou bronze, aprendi muito. Hoje misturo emoções em cadinhos iguais ao dele, de ferro, de bronze, de corpo, de alma, de vento, de paisagem, de objeto, e dessa mistura fabrico as peças para o meu trabalho"

A. Bandeira


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